Hamas divulga vídeo de refém faminto cavando sua própria cova

Um novo vídeo divulgado pelo Hamas mostra o refém israelense Evyatar David, de 24 anos, cavando o que descreve como sua própria cova em um túnel subterrâneo em Gaza. A gravação, com duração de cinco minutos, foi publicada na sexta-feira, 2 de agosto, e liberada para divulgação pública pela família. David, sequestrado em 7 de outubro de 2023 durante o Festival de Música Nova no sul de Israel, aparece visivelmente enfraquecido, sem camisa, dentro de um túnel estreito, marcando os dias em um calendário improvisado.

Na gravação, David afirma estar há dias sem se alimentar adequadamente e quase sem acesso à água. “Acho que este é o túmulo em que serei enterrado. O tempo está se esgotando”, disse ele. Em outro trecho, aparece recebendo uma única lata de feijão, que segundo declara, deveria durar dois dias. O vídeo termina com uma tela preta que afirma: “Eles comem o que nós comemos. Eles bebem o que nós bebemos”, intercalando imagens de David com cenas de crianças palestinas famintas e trechos de discursos dos ministros israelenses Benjamin Netanyahu e Itamar Ben-Gvir pedindo a interrupção da ajuda humanitária a Gaza, segundo o jornal The Jerusalem Post.

A família de Evyatar David, por meio de nota publicada com autorização da BBC, declarou: “Fomos forçados a testemunhar nosso amado filho e irmão, Evyatar David, deliberada e cinicamente morto de fome nos túneis do Hamas em Gaza — um esqueleto vivo, enterrado vivo”.

A divulgação do vídeo provocou forte reação internacional. No sábado, 3 de agosto, milhares de pessoas se reuniram em Tel Aviv exigindo ação imediata do governo israelense e da comunidade internacional. Entre os manifestantes estava Ilay David, irmão de Evyatar, que fez um apelo direto ao presidente dos Estados Unidos: “Pedimos a Donald Trump que intervenha por todos os meios necessários. Permanecer em silêncio agora é ser cúmplice de sua morte lenta e agonizante”, disse ele, conforme reportado por veículos locais.

No mesmo dia, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conversou com os familiares de Evyatar David e de outro refém, Rom Braslavski. Também no sábado, o enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff, se reuniu com diversas famílias de reféns. Witkoff afirmou que “a situação é complicada”, mas disse que um acordo para encerrar a guerra e libertar todos os reféns estaria próximo. Segundo ele, os Estados Unidos aceitariam apenas um acordo completo e não ações parciais.

Este é o segundo vídeo de reféns divulgado em menos de 24 horas. Na quinta-feira, 1º de agosto, a Jihad Islâmica Palestina publicou imagens de Rom Braslavski, também aparentando desnutrição severa. Ambos fazem parte dos 49 reféns que, segundo informações do governo de Israel, ainda permanecem em cativeiro na Faixa de Gaza. Desses, 27 estariam mortos.

Evyatar David já havia aparecido em um vídeo anterior divulgado em fevereiro pelo Hamas. Na ocasião, ele e o também refém Guy Gilboa-Dalal foram mostrados implorando por sua libertação enquanto estavam sentados dentro de uma van.

Diversos relatos de familiares e ex-reféns descrevem as condições nos túneis do Hamas como intencionalmente cruéis. Yaelah David, irmã de Evyatar, publicou em seu perfil no Instagram: “Depois de uma noite chorando por meu irmão, que se tornou um esqueleto ambulante no cruel calabouço de Gaza, entendi que o mundo inteiro precisa ver isso”. Segundo ela, o Hamas impede que a ajuda humanitária chegue aos reféns e também aos civis palestinos, utilizando a fome como ferramenta de pressão política e midiática.

O ex-refém Omer Wenkert, que afirmou ter sido mantido junto com Evyatar David por 250 dias, descreveu os túneis como “prisões subterrâneas vazias”. Ele declarou: “Pedi a devolução de todos os reféns e perguntei se existe ao menos uma imagem de um terrorista do Hamas que se pareça com Evyatar”.

Outro ex-refém, Tal Shoham, que esteve preso com David e Gilboa-Dalal, afirmou que o tratamento recebido era abusivo e mentalmente exaustivo. “Eles nos filmavam constantemente”, relatou. Shoham também afirmou que havia um dispositivo explosivo ao lado da câmera, apontado para os reféns, supostamente para impedir operações de resgate por parte das Forças de Defesa de Israel.

A mãe de Evyatar David, em declarações à imprensa israelense, descreveu o filho como “uma pessoa gentil e perspicaz, que amava música e tocava violão e piano”, segundo informações do portal The Christian Post.

Até o momento, o Hamas não demonstrou disposição em libertar mais reféns. Ontem, dia 3 de agosto, representantes do grupo reiteraram a exigência de que Jerusalém seja entregue como capital de um futuro Estado palestino — condição considerada inaceitável por autoridades israelenses.

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