Mulheres podem ser pastoras? Esse questionamento tem sido feito entre os evangélicos do século 21, diante do fenômeno de ordenação em igrejas pentecostais e neopentecostais, enquanto denominações históricas – como os Batistas e Presbiterianos – mantém um posicionamento tradicional, sem influências ideológicas.
A discussão é ampla e nem sempre racional: recentemente, a pastora Ashley Wilkerson, da Pacific Coast Church em Tacoma, Washington (EUA), acusou os tradutores da Bíblia de fraudarem o Novo Testamento para diminuir a importância das mulheres na Igreja Primitiva e assim impedirem que elas fossem ordenadas ao ministério pastoral.
Anos atrás, uma das referências teológicas das Assembleias de Deus, pastor Antônio Gilberto (in memoriam), publicou extenso artigo sobre o assunto e alertou para as consequência de desobedecer as Escrituras nesse assunto: “É a igreja a culpada e a igreja vai prestar conta disso. A igreja que eu digo não é a igreja o prédio, os responsáveis vão prestar conta disso. Jesus nunca ordenou mulheres”, declarou.
Agora, o tema tem crescido no meio evangélico brasileiro enquanto o segmento cresce numericamente, como constatado nos dois últimos censos populacionais. O debate inclui a publicação de livros sobre o tema, com estudiosos a favor e contra. Um dos conservadores que mais se posiciona sobre o assunto é o reverendo Augustus Nicodemus, que mais uma vez abordou o assunto em um vídeo de perguntas e respostas.
A “mulher pode ser pastora?”, questionou um inscrito do canal Em Poucas Palavras: “Essa é uma pergunta que tem dividido os evangélicos recentemente e causado grande polêmica. Biblicamente, eu entendo que não há restrição para o ministério da mulher na igreja a não ser que ela exerça a autoridade espiritual que vem do ofício pastoral e presbiterial também”, introduziu Nicodemus.
“O que isso significa? Eu creio que a mulher pode servir e tem servido, a Bíblia nos dá muitos exemplos, e elas têm servido em diferentes categorias, trabalhando em diversas áreas. A igreja é muito ampla, é um complexo, é um corpo com muitos membros e muitas funções, e as mulheres certamente são bem-vindas a trabalhar e servir de acordo com seus dons”, ponderou o pastor da Esperança Bible Presbyterian Church em Orlando, na Flórida (EUA).
Restrições
De acordo com Nicodemus, o texto bíblico deixa claro o direcionamento do papel de autoridade eclesiástica: “O governo da igreja é exclusivo de homens cristãos qualificados. Isso fica claro pelo fato de que Jesus chamou 12 homens para serem apóstolos, pelo fato de que os apóstolos nomearam 7 homens para serem diáconos, pelo fato de que nos requerimentos pastorais é dito lá em 1 Timóteo 3, que o presbítero, o pastor, o bispo, ele tem que ser marido de uma só mulher”.
“Além do mais, há restrições como a proibição da mulher ensinar com autoridade de homem na igreja, 1 Timóteo capítulo 2; a ordem para que elas permaneçam, aprendam em silêncio, 1 Coríntios capítulo 11; então todas essas evidências apontam para uma conclusão única. A única restrição que nós podemos impor ao ministério das mulheres é que elas sejam ordenadas pastoras, presbíteras e diaconisas, onde esse ofício é entendido como sendo autoritativo”, acrescentou.
Ao final, deixou uma resposta objetiva: “Então, mulheres podem ser pastoras? Na minha opinião, não. Mas isso não quer dizer que elas não possam aconselhar, ajudar, visitar, confortar aqueles que estão em necessidade. E isso elas fazem muito bem”.