O pastor Jecer Góes, líder da Assembleia de Deus Ministério Canaã em Fortaleza (CE), gerou controvérsia ao classificar mulheres praticantes de Muay Thai como “endemoniadas” durante culto transmitido online.
O vídeo, amplamente compartilhado nas redes sociais, mostra o religioso afirmando: “Esse negócio de Muay Thai é encher de tabefe, de murro. Acho que é pra dar no marido”. Góes diferenciou a prática de outras atividades físicas, como musculação e exercícios aeróbicos, que considerou aceitáveis.
Muay Thai é uma das artes marciais mais populares do mundo, sendo reconhecida por sua origem tailandesa. A fala do pastor provocou reações diversas nas redes sociais, incluindo diversas críticas devido ao teor preconceituoso do líder religioso.
As declarações provocaram reações imediatas de usuários, que acusaram o pastor de machismo e restrição à autonomia feminina. Defensores da arte marcial tailandesa destacaram seus benefícios para saúde física, mental e defesa pessoal.
Entre fiéis da denominação, observou-se divisão: alguns apoiaram a posição do líder, enquanto outros repudiaram publicamente o comentário.
Contexto institucional:
A Assembleia de Deus Ministério Canaã integra a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), maior ministério pentecostal do país. Seu regimento interno não prevê restrições a práticas esportivas, embora valorize “modéstia” no vestir e agir (Artigo 12º, Estatuto CGADB, 2019).
O episódio reacende debates sobre a influência de líderes religiosos em escolhas individuais e direitos das mulheres.
Especialistas lembram que, em 2023, o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) registrou aumento de 214% na procura por Muay Thai entre mulheres no Nordeste, frequentemente associado a busca por autoconfiança e segurança.
A arte marcial é considerada uma modalidade de autodefesa, útil não apenas para o condicionamento físico, mas também como forma de proteção individual.